terça-feira, abril 18, 2017

Sonho triste

Se ainda eu fosse outra
qualquer que não eu
e houvesse alternativa
qualquer que não essa
de não haver culpa nenhuma
em simplesmente desacreditar
deixar ir,
desaguar
ver onde leva o mar,
quando ninguém mais te amar.

Soltar,
desistir,
não deixar magoar,
desfazer,
limpar,
retirar,
sumir,
e eu mesma
nunca mais voltar.

Ir pra qualquer lugar de dor menor que essa
que é tudo e nada ao mesmo tempo.
Porque eu sou tudo e nada
e tudo e nada ao mesmo tempo.
O avesso do bonito,
o retrato do estragado.
Eu vou rezar pra você entender
que eu não sei bem onde estive
só sei que eu acordo aos poucos
e as vezes eu sou um sonho triste
e eu sinto um buraco onde
antes havia um sopro
era vento que vinha da praia
enrolado em sol
esquentando o pelo
de quem vê o mar
com olhos de quem sabe amar,
e eu não sei nem nadar.

Eu sinto falta de mim mesma
quando eu tenho que engolir
tudo que eu não posso falar.



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