quarta-feira, setembro 21, 2016

Gigantes de papel

Eu ia te ligar,
mas veio a urgência de escrever,
pois eu quero eternizar,
o que os teus ouvidos poderiam esquecer.

Tava pensando em dizer tanto,
que eu provavelmente falaria só: "...amo você"
E eu não sei se você sabe,
e eu ainda nem sei todas,
mas nos últimos dez meses
amar você ganhou 306 novos significados.

Acho que um deles quer dizer crescer,
porque quando a gente cresce,
amar a[s]cende dentro da gente,
vira luz igual aurora
se entrega igual presente.

Amor é aquele "me entende",
que quer  paciência
ao invés de sapiência,
pra gente se conhecer
e eu conseguir te dizer,
que as vezes eu sou turva,
e o amor não transparece,
mas ele continua lá,
transbordando por você.

Nesses dias de tempestade,
eu, chuva,
você, trovão,
Não irradia, nem dá as caras,
fica escondido dentro de um garrafa
que está cheia de raiva de todas as coisas
que não tem nada a ver com a gente.

É mesmo triste ser elefante,
porque eu lembro do mundo
e tudo que é pesado fica o fundo,
mas eu prometo que só dói quando eu mergulho.

Não tem nenhuma outra palavra como amor,
mas amor não explica bem,
esse monte de coisa que eu falei é amar:
o mar em quatro letras,
pra fazer caber dentro do peito,
e deixar a gente respirar.

Nunca sei como terminar poemas,
e eu acho que eles nunca realmente terminam,
mas sim se estendem em nosso sentir,
no dia-a-dia se sermos nós,
gigantes de papel
em uma enchente de amar.
quando a gente rasgar,
vamos finalmente viver.



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