quinta-feira, dezembro 18, 2014

Pai

A gente não tem nem um retrato,
Então eu te enxergo nas pequenas coisas
Como as nossas unhas,
que segundo a mãe,
tem o mesmo formato.

Eu posso ser de ferro pra todo mundo,
mas pra você eu quero ser só filha.
Ai do céu você vê as minhas falhas,
mas eu prometo que tudo se justifica.

Fica entre a gente essa promessa de reencontro
Sonho de quem cresceu amando quem nunca viu
Aceitando amor de qualquer um
Só pra fingir que não era de saudades tuas
que eu morria a cada dia.

Justifica sim, pai
A gente cresce com a dor e ela cresce dentro da gente
Um milhão de sorrisos incompletos
Uma vontade impossível
Um buraco no meu atestado de felicidade

Cada lágrima que cai é um abraço que você teria me dado
Como se meu coração morresse afogado
Porque não há nada
Em lugar nenhum do mundo
Que vai te trazer pro meu lado.

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