sexta-feira, março 16, 2012

Paixão Urbana 1

Se coubesse a Clarice me descrever, ela diria que eu sou o ovo.
Cansada, desatenta e oprimida pela imensidão do centro da cidade, eu espero o ônibus.
Invisível, você não me vê. Você apenas fuma seu cigarro e conversa com seu amigo. Objeto de minha obsessão efémera, você me ganha. Você que eu inventei e inventei porque só te vejo, eu, ovo, qualquer uma que você também não viu. Você que é só pele e trejeitos de um alguém que eu gostaria de conhecer.
Teu cigarro acaba, o assunto acaba, meu ônibus não chega. Confesso que sei que não poderia ser pior. Então você se movimenta, o momento acabou, te vejo entrar no prédio, te sigo até onde as paredes permitem. E enquanto meu ônibus não chega, eu peço pra te perder no fim do dia, até menos. Uma graça de paixão. 
 Você me teve ao dizer olá, mas nós nunca realmente conversamos.

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