sábado, maio 14, 2011

Lord

Ninguém te responde, teu cabelo não cresce e teus amigos desaparecem. Você fez tudo errado de novo. Mas você já não bebe e os cigarros ficaram no passado, junto com aquele ácido barato. E de repente o presente se apresenta como um rasgo na história do seu sorriso largo. Você perde o fio da meada, enquanto a cidade te engole e você se perde de você. Os dias passam como se só te esperassem morrer, até que você se encontra em um abraço novo e vomita uma nova prosa toda vez que sente aquele gosto invadir a boca do teu estômago e  penetrar nos teus músculos flácidos como se quisessem quebrar você, te esmagar e então te deixar escapar por entre os dedos, tendo prazer em te perder.

Eu deveria somente respirar.

22 comentários:

Adriana Antunes Polak disse...

Consigo enxergar uma poesia de alguém muito presente no "seu eu" e tenho a nítida impressão de liberdade nas palavras... Vc traduz luz...

Mil bjos.

Assis Freitas disse...

exercício fundamental: inspirar e expirar



beijo

Gonçalo disse...

Obrigado :)

Bem aquilo foi feito por um amigo meu mas ele escolheu uma imagem e um tipo de letra e com o photoshop criou aquilo :)

Felipe Braga disse...

Fernanda, muito bonito. Mas reparou que as estrelas não param de brilhar? Quando pararem, o que vai brilhar são os seus olhos.

Tem um poema de Drummond que se chama Os ombros suportam o mundo. Vou te mandar.

Beijos.

Felipe Braga disse...

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espétaculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

PauloSilva disse...

Um grande obrigado. Meu Deus! Que profundo este texto! Me deixou sem palavras *

Gabriela Andrade disse...

Triste, porém encantador.

carina, disse...

obrigada ((:

Guilherme disse...

Às vezes dá vontade mesmo de se sentir uma sambambaia, ou se teletransportar pro Alasca, já que não pra somente respirar e olhar o mundo como se não sentíssemos dor, como se não julgássemos, como se não quiséssemos, ou sonhássemos pelo amanhã do jeito que esperamos que seja.

andré disse...

mt mais q isso até :)
visto q tens twitter, toma lá o meu: andremdmb

A Escafandrista disse...

adorei a escrita contemporanea, realista e o contraste com o blog romântico.. adorei e agradeço a tua visita ao meu escafandro.

Gabriela Orlandin disse...

Nossa, adorei o texto, muito íntimo, profundo, eu achei. Muito, muito bom mesmo! As palavras se uniram ali e tornaram uma coisa só, parabéns.

Beijo!

Evelyn. disse...

Este teu layout rosa está combinando muito com você.
E você anda muito apaixonada.

Fátima disse...

Menina vc escreve bem.
Escreve com a alma.
Linda... vc!
E lindo o seu escrito.
Virei aqui mais vezes.
A Maraláxia tb a espera.
Com carinho e uma flor
rosa
de Fátima

joana Δ disse...

não, não faz bem. mas também não me faz nada bem quando alguém acha que pode obrigar-me a mudar. isso é ainda pior. se algum dia conseguir confiar em alguém será porque libertei-me dos meus medos e não porque me senti pressionada a tal.

Patrícia ♥ disse...

Que lindo o seu cantinhoo..
adorei aqui!!

estou seguindo..
retribui??

beijos
http://pathyoliver.blogspot.com
http://momentosdapathy.blogspot.com

Fred Caju disse...

Fantástico! Fiquei realmente encantando como a narrativa é voltada para o leitor e ao mesmo tempo espelha a autora. Muito bom mesmo. Vou vasculhar seu histórico por aqui. Parabéns!

Ph disse...

Normal nessa vida.
Narrativa excelente.
Beijos.

Mais um imundo no mundo impuro. disse...

As vezes também sinto que só deveria respirar, não estou nem um pouco afim de passar por tudo de novo, mesmo com os prós.

Abraços Imundos.

Í.ta** disse...

intenso.

muito bom!

*** Cris *** disse...

Olá,td bem?
Passando por aqu só para conhecer e já gostei de suas palavras.
Bjs!

Mariana de O. C. disse...

eu sei bem esse sentimento de 'o tempo não passar.'
to te seguindo! :* se quiser dá uma olhada www.marideoc.blogspot.com