Eu tenho a sensação de que meu tudo tem pernas torneadas pela dor de um amor abstrato e desconhecido que invade incolor as paredes do meu coração e me faz pedir perdão por deixar existir tamanha aberração. Dentro dos meus olhos transparentes manchados de um castanho aborrecido que pede por um pouco de atenção ainda existem retratados pintados de um você e eu que não existe mais. Pode parecer que escrevo agora como se eu me arrependesse de ter te deixado moldar meus recortes mais profundos, mas tudo que eu procuro em minhas palavras é recobrar a paz que eu achava em escrever teu nome ao lado do meu num pedaço de papel rasgado. Muitos dirão que faz tempo, mas nem todo o tempo do mundo salvaria minha essência do meu peito afogado em mágoas, de meus seios afundados em abraços mal dados, dos meus lábios pressionados contra mentiras de uma noite só. O tempo não cura o que teus dedos cravaram sem dó em minha alma, o tempo não sara os cortes delicados que você fez em meus sonhos, o tempo não repara os danos que a tua mascará fez ao meu rosto sempre sorridente para tuas mentiras sempre sinceras. Meus ouvidos ainda recordam os diálogos infindáveis que por fim terminaram. Eu e você éramos destinados a ser e eu acho que nós realmente fomos.
"E porque você escreve?"
Perguntou ele, que a reinava absoluto
nos dias em que ainda havia algo a
se salvar daquela coisa deles dois.
Ela, que ainda não sabia que aqueles
se salvar daquela coisa deles dois.
Ela, que ainda não sabia que aqueles
seriam os dias que ela sentiria falta
pelo resto da vida, respondeu
pelo resto da vida, respondeu
sem dúvida alguma
"Pelo Sol queimando
tudo dentro de mim"
Sou Sol ou eu?