Março 06, 2010

Mas.

Meus olhos se enchem de lágrimas, mas nunca realmente se enchem. Enchem-se de nada, um nada que afoga minha alma com puras lágrimas que nunca se quer chegaram a existir, não tiveram a coragem, ou melhor, não tive a coragem  de deixá-las cair. 

Abraço-me com força, sinto-me com nojo. Cuspo ao chão todas as palavras em vão que eu falei sem pensar. De nada valem, se com elas não posso querer dizer todas as coisas que elas deixariam de falar. Só palavras moribundas cuspidas para fora de meu coração, por serem só palavras em vão que não valeram se mencionar. 

E você que foi meu mundo, agora caiu. Me descubro nova no escuro, sem seus olhos para me iluminar. Estou com você, mas quem está aqui não te traz para relembrar. Ou vem comigo, ou te esqueço, te canto uma ou duas canções de ninar e parto, sem tempo para te acordar em mim enquanto eu andar. E se você me chamar, eu te escutarei. Mas nunca mais estarei aonde nós deveríamos estar. Eu não voltarei. 

Me desculpe, mas não irei me desculpar.


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