Os dentes morderam os lábios. Só não lembro quais.
Quais dentes, quais lábios.
Meus olhos se fecharam para toda aquela luminosidade, mas ainda assim estava tudo muito claro.
Estalei meus dedos enquanto colocava as costas confortavelmente encostadas no banco de madeira puída pelo tempo.
O sol continuava a despontar no horizonte.
Não consigo lembrar-me ao certo de quem estava ao meu lado naquele momento.
Talvez já não houvesse ninguém para ver comigo os espetáculo do azul acinzentado e pálido no céus se tingir com os raios de amarelo ouro.
Uma onda elétrica percorreu todo o meu corpo em um sussurro tentador de alguma alma que passava por ali, tombei meu pescoço para trás. Mesmo dentro dos blue jeans apertados, e da camiseta surrada de sempre, eu sabia que estava somente vestida de minha alma. Não precisava vomitar nenhuma palavra, não precisava do gole de nenhuma bebida ou do trago de algum cigarro.
Eu estava certa de que fazia o certo.
O sol logo chegou ao seu lugar.
Um dia de sol onde não havia como se lembrar do inverno.
Mas as horas passaram, o sol se cansou de brilhar.
Você voltou para me dar um beijo e dizer sutilmente o seu tão cheio de curvas 'Au revoir'.
Me despertou com o toque de seus lábios macios na minha bochecha gasta dos ventos que uivam toda noite por aqui.
Agora eu realmente precisava de vomitar alguma coisa, beber então algum trago para apagar com fumaça toda a felicidade e surpresa que ainda se agitava em meu corpo. Minha alma.
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Acho que te ouvi dizer "Posso te abraçar?"