quarta-feira, setembro 21, 2016

Gigantes de papel

Eu ia te ligar,
mas veio a urgência de escrever,
pois eu quero eternizar,
o que os teus ouvidos poderiam esquecer.

Tava pensando em dizer tanto,
que eu provavelmente falaria só: "...amo você"
E eu não sei se você sabe,
e eu ainda nem sei todas,
mas nos últimos dez meses
amar você ganhou 306 novos significados.

Acho que um deles quer dizer crescer,
porque quando a gente cresce,
amar a[s]cende dentro da gente,
vira luz igual aurora
se entrega igual presente.

Amor é aquele "me entende",
que quer  paciência
ao invés de sapiência,
pra gente se conhecer
e eu conseguir te dizer,
que as vezes eu sou turva,
e o amor não transparece,
mas ele continua lá,
transbordando por você.

Nesses dias de tempestade,
eu, chuva,
você, trovão,
Não irradia, nem dá as caras,
fica escondido dentro de um garrafa
que está cheia de raiva de todas as coisas
que não tem nada a ver com a gente.

É mesmo triste ser elefante,
porque eu lembro do mundo
e tudo que é pesado fica o fundo,
mas eu prometo que só dói quando eu mergulho.

Não tem nenhuma outra palavra como amor,
mas amor não explica bem,
esse monte de coisa que eu falei é amar:
o mar em quatro letras,
pra fazer caber dentro do peito,
e deixar a gente respirar.

Nunca sei como terminar poemas,
e eu acho que eles nunca realmente terminam,
mas sim se estendem em nosso sentir,
no dia-a-dia se sermos nós,
gigantes de papel
em uma enchente de amar.
quando a gente rasgar,
vamos finalmente viver.



quarta-feira, agosto 31, 2016

Em claro

A serração que acompanha 
quem volta da praia
e o que não ilumina, atrapalha 
fica o desejo de regresso
pr'aquele [a]mar que acalma.

E agora, quem somos
se não quem sempre fomos?
Eu, Sol,
mas sempre sua.






sábado, junho 11, 2016

Em Roma

Há um diário que eu abro,
mas ele não é meu
e quando eu leio os relatos,
não sou eu
[era ela,
elas.]

Mas que sorte a minha,
de ter ter depois
pra te ter pra sempre.

terça-feira, abril 26, 2016

Um poema pra você

A saudade mora no andar de cima
e as escadas que me levam, terminam
nas portas abertas do teu guarda-roupa
o som do violão parece o teu chorar e a tua risada
e eu me lembro de todas as nossas piadas
que nos mantiveram a salvo do escurecer.

Às vezes eu acho que ouço a sua voz,
tão reconhecível,
falando "vó", lá da sala,
ou gritando "to saindo",
quando ainda assim me esperava.

Eu quero que você viva para sempre,
porque eu não posso existir em um mundo
em que não há um Lucas para o meu sofrer
e um Lucas para o meu amar
e um Lucas para todos os meus abraços desesperados, 
que eu tenho segurado desde que você foi embora.

E se qualquer coisa fosse diferente
eu ainda gostaria de ser sua irmã,
pois não há posto melhor no mundo,
e não há maior satisfação,
do que chorar ao escrever um poema pra você.