quarta-feira, novembro 23, 2016

Despedaçar

Eu não sei o que me incomoda
Eu não sei o que acontece
Eu não sei o que eu quero
Eu não sei mais respirar
Eu quero quebrar as coisas
e estes sentimentos ruins
Eu quero queimar todas as escolhas
que me trouxeram aqui
Eu quero voltar e eu não posso
Tudo é o que é
Eu quero voltar eu e eu não posso
Eu não consigo chorar
As coisas boas
Estas são tão boas
Mas o que há de bom 
em não querer mais acordar
Eu quero ficar calma
e tranquila
e ao lado de quem não alimenta quem me faz mal
eu não sou obrigada a conviver com gente que me faz mal
eu quero morrer
eu quero morrer
eu quero morrer
eu quero morrer
eu quero ver meu pai
e meus avós
e meu padrinho
e minha madrinha
eu quero que vocês sintam a minha falta
e convivam com a culpa
e vivam na dor
e nem por um segundo pensem que não havia algo que vocês poderiam ter feito
porque havia
a culpa nunca foi minha
eu sempre fiz o meu melhor
tudo que eu alcancei foi o que eu consegui alcançar
porque tudo sempre foi colocado longe de mim
a felicidade não me pertence
mas ela me visita
e quando eu estou longe
ela fica mais nítida.

quarta-feira, setembro 21, 2016

Gigantes de papel

Eu ia te ligar,
mas veio a urgência de escrever,
pois eu quero eternizar,
o que os teus ouvidos poderiam esquecer.

Tava pensando em dizer tanto,
que eu provavelmente falaria só: "...amo você"
E eu não sei se você sabe,
e eu ainda nem sei todas,
mas nos últimos dez meses
amar você ganhou 306 novos significados.

Acho que um deles quer dizer crescer,
porque quando a gente cresce,
amar a[s]cende dentro da gente,
vira luz igual aurora
se entrega igual presente.

Amor é aquele "me entende",
que quer  paciência
ao invés de sapiência,
pra gente se conhecer
e eu conseguir te dizer,
que as vezes eu sou turva,
e o amor não transparece,
mas ele continua lá,
transbordando por você.

Nesses dias de tempestade,
eu, chuva,
você, trovão,
Não irradia, nem dá as caras,
fica escondido dentro de um garrafa
que está cheia de raiva de todas as coisas
que não tem nada a ver com a gente.

É mesmo triste ser elefante,
porque eu lembro do mundo
e tudo que é pesado fica o fundo,
mas eu prometo que só dói quando eu mergulho.

Não tem nenhuma outra palavra como amor,
mas amor não explica bem,
esse monte de coisa que eu falei é amar:
o mar em quatro letras,
pra fazer caber dentro do peito,
e deixar a gente respirar.

Nunca sei como terminar poemas,
e eu acho que eles nunca realmente terminam,
mas sim se estendem em nosso sentir,
no dia-a-dia se sermos nós,
gigantes de papel
em uma enchente de amar.
quando a gente rasgar,
vamos finalmente viver.



quarta-feira, agosto 31, 2016

Em claro

A serração que acompanha 
quem volta da praia
e o que não ilumina, atrapalha 
fica o desejo de regresso
pr'aquele [a]mar que acalma.

E agora, quem somos
se não quem sempre fomos?
Eu, Sol,
mas sempre sua.






sábado, junho 11, 2016

Em Roma

Há um diário que eu abro,
mas ele não é meu
e quando eu leio os relatos,
não sou eu
[era ela,
elas.]

Mas que sorte a minha,
de ter ter depois
pra te ter pra sempre.